Telas estão em toda parte, e quase todos os pais se perguntam, em algum momento, se o tempo de tela do filho está adequado. A Sociedade Brasileira de Pediatria atualizou suas orientações sobre o tema no final de 2025, com recomendações específicas por idade. Aqui está um resumo prático.
O que as diretrizes brasileiras recomendam
Estudos mostram aumento de riscos para saúde e comportamento quando o tempo de tela passa de 4 a 5 horas diárias, especialmente entre adolescentes.
Não é só sobre o tempo: a qualidade do conteúdo importa
Duas crianças com o mesmo tempo de tela podem ter experiências bem diferentes. Vale observar:
- Se o conteúdo respeita a classificação indicativa (Classind) e é apropriado para a idade.
- Se a criança assiste sozinha ou em companhia de um adulto que comenta, explica e participa.
- Se o uso é interativo (um jogo educativo, uma videochamada com a família) ou puramente passivo.
Por que telas antes dos 2 anos preocupam tanto
Nos primeiros anos, o cérebro aprende linguagem, atenção e regulação emocional principalmente através da interação com pessoas reais: o tom de voz, as expressões faciais, a resposta imediata ao choro ou ao sorriso. Telas, mesmo as chamadas "educativas", não replicam essa troca. Por isso a recomendação para essa faixa é a ausência total, não um limite reduzido.
Segundo o estudo TIC Kids Online Brasil 2023, 95% das crianças de 9 a 17 anos já estão conectadas à internet. 24% tiveram o primeiro acesso ainda aos 6 anos, e 63% até os 10 anos. O acesso está chegando cada vez mais cedo, o que torna a orientação dos pais nos primeiros anos ainda mais importante.
Dicas práticas para o dia a dia
- Priorize brincadeiras livres e interação humana real, especialmente antes dos 2 anos.
- Prefira telas compartilhadas a telas solitárias: assistir junto, comentar, perguntar o que a criança está vendo.
- Sem telas na última hora antes de dormir (veja também nosso guia sobre sono e rotina).
- Combine regras claras com a criança, e seja consistente ao aplicá-las.
- Dê o exemplo: o tempo de tela dos pais também influencia o comportamento dos filhos.
Equilíbrio, não perfeição
Nenhuma família segue as recomendações à risca todos os dias, e isso não é motivo de culpa. O que importa é a tendência geral: telas com função clara, supervisão presente e prioridade para a interação humana. Se você nota dificuldade de atenção, agitação ou atraso de linguagem que pareçam relacionados ao uso de telas, vale conversar com o neuropediatra: às vezes o que parece "só hábito de tela" tem outras causas que merecem investigação.
Referências: Sociedade Brasileira de Pediatria, atualização de diretrizes sobre uso de telas por crianças e adolescentes (dezembro de 2025); pesquisa TIC Kids Online Brasil 2023 (Cetic.br/NIC.br). Este conteúdo é informativo e não substitui uma avaliação individual.
Tem dúvidas sobre telas e o desenvolvimento do seu filho?
Cada criança é única. Uma avaliação ajuda a entender o que realmente está em jogo.
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